quinta-feira, 24 de julho de 2008


Olá todas e todos!


Depois de uma breve e merecida pausa, voltamos a ocupar, com palavras, o espaço em branco de postagens desse blog. Voltamos com saudades, mas com uma vontade ainda maior de por em prática tudo aquilo que nos fez sentir essa saudade: encontros, discussões, movimento, encenações, interpretações, textos, paixão, arte! Sei que o blogueiro aqui ficou devendo escrever sobre o dois últimos encontros (escuse-me Moises e Mariana) e principalmente sobre o encontro de finalização do semestre. Mas passado tanto tempo, acho que não quero mais voltar a isso. Agora, quero é falar do que está acontecendo e do que vai acontecer, o que acham? O que está acontecendo é uma reviravolta danada em todo o foco do nosso trabalho. O que antes era apenas uma atividade do Núcleo de Artes Cênicas, tornou-se um projeto institucional da Estação Ciência, com apoio e acompanhamento da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP. Noooossa, gostaram, hein! Pois é, agora a coisa ficou ainda mais divertida com mais gente se unindo a essa idéia e podendo acrescentar mais informações, orientações, gentilezas, alegrias... é nóis! E o que vai acontecer? Bem, temos um encontro, o primeiro, no dia 6 de agosto, às 14 horas, e o resto eu deixo pra vocês responderem.
Abraços fraternos a todos e todas!
Cauê Mattos

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Sábios comentários da Mariana


10 de junho - Turma B, registrando...
oi cauê!
Conversa na roda e experimentações de cena. Fiquei positivamente surpresa ao ver o encontro se iniciar com uma boa conversa - ao som de uma boa música de fundo -, e foi muito legal a forma como a conversa se desenrolou. A Vera "captou" exatamente o que acredito ser essencial a quem se dispõe a fazer teatro: os encontros levam cada um ao auto-conhecimento. Não é fácil, especialmente para pessoas que já têm toda uma vivência e longa bagagem de pensamentos pré-concebidos. Esses primeiros meses de encontro tiveram um saldo muito positivo, e conforme você próprio colocou, seria muito difícil propor um bate-papo tão aberto nos encontros iniciais (lembra de como eles se apresentaram ao grupo pela primeira vez?). Eu já esperava que eles se sentissem à vontade para se colocar em roda, pela forma como eles trabalham em grupo, mas é sempre gostoso ouvi-los mais e mais... Também é bacana eles observarem as próprias dificuldades - a Regina Célia dizendo que "ainda precisa se soltar mais", a Neusinha colocando que "nem sempre dá pra interpretar tão bem" -, mas é preciso que fique claro que essas dificuldades podem e devem ser superadas, e que eles mesmos, muitas vezes, não atentam para as dificuldades que já superaram; mais de uma vez ouvi comentários bem pertinentes durante a construção das cenas.
O texto do Moisés está ótimo, o enredo bem construído e a situação proposta bem respeitada. Notei que ambos os grupos tiveram a preocupação de colocar mais o corpo, mas em alguns casos ainda vemos a história ficar contida pela "ilustração verbal". Falas não definidas ainda é algo que os atrapalha, especialmente em situações de conflito, onde todos "batem-boca" e poucos se escutam (nada anormal!). Bem legal a idéia de puxar a cena proposta pelo Edson para uma comédia escrachada, essa turma tem bem a ver com isso! No geral, dificuldades bem comuns e com certeza estimulantes. ". Esse pessoal...
11 de junho - Turma A
Aquecendo o corpo e brincando com os personagens.
Muito bom o aquecimento inicial, percebi que a maioria estava bem confortável e que, embora em alguns ainda exista uma dose de ansiedade (conversas paralelas, comentários como "tomara que ele não me chame no exercício dos nomes"), a prontidão foi imediata quando você disse: "Vamos ver como vocês estão!", e chamou o primeiro nome. O mais importante não é jamais ter obstáculos, mas sim, se propor a participar e se sentir acima de qualquer obstáculo. Achei o máximo ver alguns deles auxiliando os colegas no exercício de entrega em duplas ("olha o quadril, você ainda quebra! pode vir, estou aqui e vou te segurar!"), sem ficar fixados aos padrões "forte/fraco", "pequeno/grande", "gordo/magro". É essencial que cada corpo esteja presente independente de volume e massa.
As entrevistas, dessa vez, fluiram mais: as perguntas estavam mais canalizadas, embora o Odail, por vezes, impusesse uma situação, em vez de propôr (como você disse). Mas sinto ele muito aberto a mudanças, e o grupo muito disposto a acatar sugestões. Agora que já temos alguns personagens, parece que a nuvem está se dissipando... Temos um grupo, de fato, se consolidando. As improvisações foram bem soltas, todos sendo bem "eles mesmos" em cena, o que mostra que estão se divertindo e que, com o tempo e mais ensaios, vão conseguir encontrar seus personagens e afiná-los cada vez mais. Mesmo nas entrevistas podemos ver muito deles mesmos, tanto que eles confundem o próprio nome com o dos personagens. Acho mais positivo esse caminho do que o inverso, quando o ator é "induzido" a compreender o personagem e se transformar nele da noite para o dia (seria possível, aliás?! é uma questão que coloco muito para mim mesma, como atriz). O corpo deles ainda ilustra muito a situação do personagem - por exemplo, o Zé do Burro fica sempre encolhido, o padre sempre ereto, a Marli sempre cantarolando -, mas isso é típico de primeiros experimentos, e é bem positivo se pensarmos que indica que eles compreenderam a história e os sentimentos dos envolvidos.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A palavra é a bola da vez!



04 de junho - Turma A, registrando...

Olha o Bertola segurando com firmeza a "bola" jogada contra o seu gol (foto ao lado)! Mas o que isso tem a ver com o teatro? No nosso último encontro, em um dos exercícios executados, nos dedicamos ao foco na palavra como parte do treinamento para a montagem do espetáculo em preparação. Sim, assim como o olhar a palavra precisa ter foco, objetivo para ser entendida (foneticamente) e compreendida (conceitualmente). Para isso não basta apenas emitir um som, mas todo corpo dar base e sentido para o que está sendo dito. E do outro lado, um corpo em estado de escuta completa, atento a "pegar" qualquer palavra a ele dirigido. Foi assim que brincamos, subvertendo a palavra em bola; a respiração, cordas vocais, boca, músculos, ossos e pele em jogador; e a audição, o olhar e disponibilidade corporal em goleiro. A galera toda vibrou muito. Depois desse aquecimento especial e multifuncional, partimos para a sessão "Sherlock Holmes", ou seja, um inédito e investigativo exercício para se traçar o perfil geral dos personagens em estudo. Alguns dos atores e atrizes se colocaram na frente do grupo para, logo a seguir, ser bombardeados por perguntas, as mais diversas possíveis, sobre o seu personagem: família, infância, trabalho, gostos, desejos, defeitos etc. Foi um exercício que deu o que falar... e rir também. Sorte nossa que gostamos de fazer teatro.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

... e assim se fez o verbo!


03 de junho - Turma B, registrando....
A expectativa para a aula de hoje era grande, pois pela primeira vez usaríamos a palavra. Sim, depois de três meses trabalhando o corpo, a voz, a consciência corporal e a sensibilização dos sentidos, chegou a vez da palavra ser dita e ouvida por todos. Agora que ossos, músculos, órgãos e sentidos foram acordados, colocados em estado de alerta e prontidão, cabe à palavra ocupar seu lugar, completando assim os recursos expressivos que o ator/atriz necessita para a sua atuação no palco. E essa novidade foi recebida com muita atenção e entrega, veja a foto acima. O exemplo que a Vera nos dar aí na foto acima, deixando-se cair de costas para ser amparada por outro, é o estado que se requer de alguém que busca por novas expressões e aceita os caminhos propostos. O novo é sempre um desajuste em algo já estalecido, fixado e conhecido. É um abismo desconhecido e sem manual ou guia de roteiro. É preciso muita coragem, desvencilhamento e confiança para experimentar e descobrir suas novas trilhas. O jogo do dia foi nessa rota, antes de se colocar as palavras nas cenas, todos os participantes se viram em meio a exercícios nunca antes feitos, cheios de obstáculos e dificuldades: individualmente, andar e depois correr de encontro ao grupo com os olhos fechados; passar entre as pessoas (fixas) em zig-zag com os olhos fechados e por último, deixar-se cair de costas para o outro pegar. Ufa, quanta a adrenalina! Mas o resultado... ah, foi tão visível nas cenas trabalhadas no palco. Viver é estar atento.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Quem é você no centro do jogo?


28 de maio - turma A, registrando...
Dia especial. Aniversário da Maria Lúcia, a homenageda por muitos no encontro de hoje. É, depois dos exercícios de consciência corporal e sensibilização dos sentidos, aquecimento vocal, cantos ( o Mané voltou e o Cabral ainda não convenceu), formação do bloco de personagens e a leitura da peça O pagador de Promessas, todas as atenções se voltaram para a nossa querida Malú Beijos, que não poupou lágrimas e sorrisos ao receber diversas homenagens: poesias, músicas, piadas e um "Parabéns a Você" com todos cantando em voz alta e bom tom ( viva o Mário Omura). E por falar em Omura, olha ele aí na foto, no centro da foto. O mesmo centro que cada um é no dia a dia e foi no exercício dado pela Mariana Orrico. O mesmo centro que todos devem ser no momento que saem do bloco ( o mesmo formado na aula anterior) e assume o seu personagem para depois formar um bloco maior, o da peça a ser encenada. Hoje também foi o encerramento desta fase de trabalhos do grupo, superando mais um obstáculos com o exercícios de reconhecimento de afinidades com o personagem a ser interpretado e sua relação com os outros personagens, que possibilitou a definição dos papéis que cada um irá fazer (só faltam definir dois ou três, mas para uma peça que tem 18 personagens até que a gente avançou bastante). No nosso próximo encontro o jogo derá outro, mas a atitude será sempre a mesma: pesquisar, reconhecer, contextualizar e encenar. Vamos a isso!

Na mesma sintonia: atenção e movimento


27 de maio - turma B - registrando...

Lado a lado sem se tocarem, sentindo a temperatura um do outro, atenção na respiração, percepção aguçada, sincronicidade no movimento e no objetivo. Essa é a turma B, sempre atenta e mergulhada nas propostas colocadas durante as aulas. O resultado: concentração, jogo, descontração, afinidade e diamantes sendo lapidados. Começamos com o chão desta vez. Sim, todos no chão, em círculo e com atenção voltada para o corpo: ossos, músculos, respiração, corrente sangüinea e audição. Com o olhar interno passamos por cada célula, molécula, órgãos, sistemas do corpo, instigando nossa percepção e atenção ao grupo, ao ambiente, ao todo daquele momento. Naturalmente os movimentos trabalhados individualmente, em duplas, trios e quartetos foram sendo executados como se todos pertencessem a um só corpo. Daí para o jogo foi só uma questão de minutos. Os exercícios de palco, elaborados a partir dos sentimentos descritos em textos próprios, chegaram ao seu final com o trabalho em quartetos. Dois grupos e o prazer do jogo em ação. Histórias criadas a partir dos sentimentos, emoções e vicenciadas corporalmente pelos participantes tiveram resultado totalmente satisfatório, sendo que, agora, chegou o momento de introduzir a palavra. Mas isso é coisa para a próxima aula. Até Lá.

terça-feira, 27 de maio de 2008

A primeira leitura: uma boa discussão!


21 de maio - Turma A, registrando...
Alguns dias atrás, o Mário Omura criou uma cena a partir da música do Adoniran Barbosa, Trem das Onze, colocando todo o grupo dentro de um imaginário ônibus. Foi muito divertido ver mais de vinte e cinco pessoas, bem juntinhas, cantando e encenando a situação. Essa idéia, formação de um bloco com todos participando de uma mesma situação, foi retomada por nós hoje. Após os rotineiros, mas sempre diferentes, exercícios de consciência corporal, sensibilização dos sentidos, aquecimento vocal e canto, foi solicitado que todas as pessoas subissem ao palco e formassem um bloco, sem deixar espaço algum entre elas. O intuito era muito significativo: ao ter a montagem do espetáculo O Pagador de Promessas como objetivo, temos que pensar coletivamente e não invidualmente. Juntos, cada um contribuindo para o todo, ou seja, várias corpos, fomando um único corpo, várias cabeças, pensando em único objetivo. Compreendido o exercício, fomos à prática. Formado o bloco e após silenciar um pouco a mente e o corpo, cada participante lembrava e falava em voz alta o nome de um personagem do texto. Ao falar, saía do bloco e começava a vivenciar o personagem, observado por quem ainda continuava em formação. Foi maravilhoso ver um a um saindo do bloco, interagindo o seu personagem com os dos outros, sempre com atenção no conteúdo do texto. Várias situação foram cabíveis de registro, como a foto acima: Carmem e Ligia (Zé do Burro e Padre) em uma acirrada discussão sobre religião. Após esse exercício, a grande surpresa do dia: a leitura do texto pelo grupo. E quem é que esquece a primeira leitura, hein? Um momento indescritível e memorável para todos. O texto em mãos, nas cadeiras, no chão e os olhinhos de todos grudados em cada palavra dita/lida, brotando uma profusão de imagens, desejos alcançados. É, como é bom participar disso tudo!