sexta-feira, 25 de abril de 2008

Presente oferecido pela Zélia Paulina


Só Pensei
de: Alexandre Avancini
Eu pensei que ser idoso seria
Um desconforto total
Um só passar de tempo e de dia
A olhar borboletas no quintal
Eu pensei que ser idoso traria
Andar lento e lenço a mão
Esquecido do que fosse alegria
Ter lembranças, viver não
Contar horas, contar tempo
A ver crianças passar
Ter recordações, sofrimento
Querer ver o tempo voltar
Ser um ser só e esquecido
Ser só vovô, ou vovó
Sentir-se pasmo e perdido
Viver de triste e de só
Hoje tenho a idade temida
Ando mais lento, é verdade
Mas parece que é pra ter tempo
De ir saboreando a vida
Aprecio as borboletas, sim
E naquela dança que passa
Tem um gostinho pra mim
Sei lá! De doce, de vida, de graça
E essa idade avançada
Só me deu graça e saber
Quem entendeu vê
Que a vida...
Vale a pena viver

sábado, 12 de abril de 2008

Intercâmbio rolando


Foi nesta última quarta-feira, dia 9 de abril, que o Grupo Teatral Art&Fato da Idade nos visitou e tivemos assim a possibilidade e o prazer de acompanhar a apresentação do espetáculo "Revolução na América Latina", de Augusto Boal, que fala de José da Silva - um homem do povo, um trabalhador comum, e da sua saga para saciar a fome que o acompanha a todo instante.
O Grupo Art & Fato já existe há vinte anos, oriundo de oficinas de teatro para a terceira idade. A opção por montar este texto, segundo o próprio grupo, tem a ver com a maturidade adquirida nesses anos todos, levando-o a refletir: o que nós queremos dizer? Pra quem? De que forma? A escolha do texto não poderia ter sido melhor, certo?
Foi um encontro muito importante para todos nós e queremos agradecer a todo elenco da peça: Adilio dos Santos, Carmen Mancioli, Dirce Galiardi, Edissa Roizman, Leda Maria, Malena, Mercedes Barrios, Paulo Pimentel, Tonha Cavalanti, Vilma di Paula e Maria Morais. A Cristina Gimenes, diretora, mandou, hein!

domingo, 30 de março de 2008

Poetisa no Blog - Esther Alves Martirani

Sonho

Ideal que se almeja ardentemente?
Quimera de corações apaixonados?
Presságio de um futuro sempre incerto?
Aviso de algum desencarnado?
Devaneio em estado de vigília?
Doce muito fofo recheado?
Ou preocupações cotidianas
que à noite continuam a atormentar,
em forma de aflitos pesadelos
insistentemente a torturar?

Sonham crianças, velhos, namorados,
sonham adultos e adolescentes.
Sonham dormindo, sonham acordados.

Satisfação de desejos recalcados
que quando despertos rejeitamos,
sonho é linguagem interior,
liberação, catarse.
É imagem, enigma, emoção.
É símbolo.
Fumaça, fuga, fantasia.
Bolha, metáfora.

É um filme estranho, de obscuras pistas,
história louca, insana poesia.

Em sonhos, somos todos roteiristas.

Recriações do jogo - " Um dia na Praia", de Moises Spiguel


sábado, 22 de março de 2008

Ocupando espaço - êta, exercício bom!


As mãos
Mãos duras pelos trabalhos caseiros, pesados; mãos que lavam roupas, louças, panelas, varrem a casa, quintal, jardim, horta. Fazem tudo isso e muito mais coisas. Mãos fazem só isso? Não. Mãos calorosas; mãos que cuidam de doentes, mãos que também sabem acariciar, embalar bebês, mãos postas em oração, mãos que se lavam, mãos que assumem, mãos que se firmam, mãos que acolhem, mãos que confortam, maõs que resistem, e como resistem... E mãos que suplicam. Mãos que dão vida, mãos que se despem, mãos que se prendem, mãos que se entregam, mãos sem medo, mãos fortes, mãos em oração, mãos que se elevam pra te louvar e agradecer, Senhor.
Vielda, dezembro de 2007.

segunda-feira, 17 de março de 2008